MAURO PEREIRA
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FARRAPOS

               Mauro Pereira

 

Quem passa, desvia e vira o rosto,

fugindo aos andrajos que, há dias,

nem chuva, do fedor, o alivia,

nem roupa pra trocar o que está posto.

 

Parasse, para  ouvir quanto desgosto,

Alquebra-lhe a alma dia-a-dia!

O uivar do vento o encolhe e o arrepia,

E até o desprezo humano faz-lhe gosto.

 

Tentando um bom lugar que ninguém pise.

Um canto de parede e um papelão,

É tudo que ele tem sob a marquise!

 

Arrasta o agasalho pra cabeça.

Esconde na axila as suas mãos,

E fica a esperar que amanheça.

      Uberaba-MG,01/04/2025


MAURO PEREIRA
Enviado por MAURO PEREIRA em 08/08/2025
Alterado em 01/06/2026
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